Central de Agendamento e Dúvidas

(79) 3211-9007 • (79) 99657-8891

(79) 3211-9007 • (79) 99657-8891

Pesquisas indicam chance de ‘corrigir’ cérebro de autistas

Novos estudos apontam para a possibilidade de que o cérebro do autista produza substâncias em desequilíbrio e possa ser corrigido com medicamentos

Ainda em fase inicial, outra pesquisa relacionada ao desequilíbrio de uma substância no cérebro dos autistas também traz expectativa. Desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), o trabalho aponta que pessoas com o transtorno produzem em excesso uma citocina específica – a interleucina 6. Segundo a responsável pelo estudo, a neurocientista Patrícia Beltrão Braga, do Instituto de Ciências Biomédicas, a substância é tóxica e, em alta quantidade, capaz de reduzir o número de sinapses feitas pelos neurônios.

“Bloqueamos a produção em excesso e conseguimos resgatar o número de sinapses e sua funcionalidade. O ensaio mostra que há uma neuroinflamação no cérebro dos autistas, e ela é provocada pelos astrócitos, que são células que sustentam os neurônios”, diz Patrícia, que fez os testes em laboratório com base na produção de neurônios derivados da polpa de leite de indivíduos com autismo.

A vantagem da descoberta, segundo ela, é que já existem drogas capazes de bloquear a ação da IL 6 e, consequentemente, eliminar essa neuroinflamação. Se a pesquisa avançar, não seria preciso desenvolver um novo medicamento, apenas ampliar o uso de remédios existentes.

Para os pais de autistas, medicamentos que melhorassem, ainda que parcialmente, a interação social das crianças seriam um grande avanço. “Sou muito cuidadosa: primeiro vem o conforto e o bem-estar do meu filho. Mas também sou muito corajosa. Cercada de garantias de que não fariam mal, eu estaria disposta a testar novos mecanismos que pudessem tornar a vida dele mais tranquila e feliz. Seria minha maior alegria”, diz Juliana.

Para especialistas, linhas devem ser vistas com cautela

Para especialistas em neurologia infantil, ambas as pesquisas seguem linhas promissoras, mas devem ser vistas com cautela por causa da complexidade do transtorno.

Segundo Marco Antônio Arruda, neurologista infantil e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, outros estudos já mostraram a relação da vasopressina com o comportamento antissocial, mas isso não quer dizer que, regulando a produção dessa substância, o problema estaria completamente resolvido.

“Como o autismo é um transtorno multifatorial, dificilmente um medicamento que atua em um só alvo vai ajudar a controlar todos os comportamentos ou servir para todos os tipos de autista”, ressalta o especialista.

Para Erasmo Casella, professor livre docente de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP e neurologista da infância e adolescência do Hospital Israelita Albert Einstein, são as pesquisas que “dão esperança”, mas resultados definitivos deverão aparecer apenas no longo prazo.

“Muitas moléculas são pesquisadas, mas é necessário esperar o fim dos testes para saber se aquele medicamento vai apresentar um benefício de fato. Em relação à pesquisa da USP, será interessante se os pesquisadores conseguirem replicar o que foi feito em laboratório em modelos animais e, depois, em humanos.”

Os dois médicos destacam que, mesmo que a eficácia de novos medicamentos seja comprovada, a resposta ao tratamento poderá ser diferente de acordo com o paciente e o nível do transtorno. “É difícil falar em cura, mas a melhora do funcionamento social do indivíduo já seria um grande passo”, diz Arruda.

Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/pesquisas-indicam-chance-de-corrigir-cerebro-de-autistas/